Área educativa - Observação de frentes de brisa com Radar Meteorológico, em Portugal continental
Observações com Radar meteorológico
Na camada-limite atmosférica, em especial em condições de tempo seco, podem estar presentes retrodifusores como as partículas de poeira e, com temperatura do ar relativamente elevada (acima de 10-15 ºC), podem abundar insetos, que se constituem igualmente como retrodifusores importantes - alvos a que os sistemas de radar são sensíveis.
O processo de convergência horizontal, numa zona estreita da referida frente de brisa, conduz a um aumento na concentração dos referidos retrodifusores que é, por vezes, suficientemente importante para causar um aumento local dos valores da refletividade radar, suscetível de causar o aparecimento das chamadas linhas finas de refletividade, que os sistemas de radar observam. Estas linhas podem, pois, ser detetadas pelos sistemas de radar mesmo na ausência de nuvens. A figura seguinte mostra uma animação do produto MAXZ, com uma escala adequada a deteções em ar limpo (ou seja, numa atmosfera sem convecção húmida). Nesta animação é visível a propagação de duas frentes de brisa: a mais visível posiciona-se sobre o Algarve e desloca-se de sul para norte, correspondendo à frente de brisa da costa sul do Algarve; uma outra frente de brisa desloca-se de oeste para este, sobre o Baixo Alentejo, correspondendo à frente de brisa da costa Vicentina.

Quando uma frente de brisa marítima se propaga sobre terra, é possível observar alterações sensíveis em diversas grandezas meteorológicas, em locais que se encontrem na sua trajetória. Este facto resulta da mudança de massa de ar que se estabelece sobre o local ou região que a frente de brisa atravessa. Assim, a temperatura do ar pode descer até cerca de 10 ºC em poucos minutos, a humidade relativa do ar aumenta e o vento pode variar de rumo e soprar em regime de rajada à passagem da referida frente. Na figura seguinte, numa animação de MAXZ, é visível a propagação de uma frente de brisa sobre a estação de Castro Marim, que se encontra assinalada a vermelho. Esta frente, em propagação de sul para norte, passou pela estação às 13 UTC. No período de 10 minutos correspondente a esta passagem, observou-se naquela estação, uma descida de 3 ºC na temperatura do ar, uma subida de 15% na humidade relativa do ar e uma rotação no rumo do vento, de oeste para sul.

As frentes de brisa constituem um mecanismo de geração de convecção seca e, por vezes, como referido anteriormente, de geração de convecção húmida (formação de nuvens), graças aos movimentos verticais resultantes do processo de convergência em níveis baixos. Na figura que segue é visível um corte vertical efetuado sobre o campo da refletividade, executado perpendicularmente a uma frente de brisa, segundo secção indicada na figura, a este do radar de Loulé/Cavalos do Caldeirão. Na imagem do referido corte vertical, é visível a localização da frente de brisa na zona de máximo de refletividade, em torno do km 16 do eixo horizontal. Sobre a frente de brisa, é evidente uma sugestão de movimentos verticais ascendentes mais intensos do que em áreas vizinhas, pela maior altitude a que se encontra o valor mínimo de refletividade observado.

A identificação de frentes de brisa é importante na previsão do estado do tempo a muito curto prazo para fins turísticos, para fins de navegação aérea e para outros fins operacionais.